Uma expedição de inverno recente a Abisko, na Lapônia Sueca, desafiou a percepção do tempo de um viajante, transformando um medo inicial da escuridão em uma sensação de libertação. Ao chegar à pequena estação de Abisko Ostra vinda de Londres via Estocolmo e Narvik, o visitante encontrou uma paisagem onde névoa branca pairava sobre neve profunda e os edifícios se fundiam ao céu. A jornada começou com uma caminhada até a Abisko Mountain Lodge, onde o viajante esperou em um bar iluminado por fogo antes de aventurar-se em um mundo cinzento denso de nuvens, guiado por luzes amarelas baixas ao longo de uma estrada vazia.
A primeira saída envolveu uma trilha através da neve profunda em direção a um ponto de vista do rio, uma caminhada de meia hora que pareceu muito mais longa devido às condições. Quando o grupo retornou à vila, o crepúsculo azul havia se tornado preto, mas verificar o celular revelou que eram apenas 14h. Essa desorientação continuou quando o viajante percebeu que o sol não nasceria acima do horizonte durante toda as férias. Em vez de sentir-se restrito pela falta de luz diurna, o visitante descobriu que os limites habituais que marcam o tempo desapareceram, criando uma sensação de luxo enquanto o dia se estendia.
Abisko foi escolhido por sua reputação como um dos lugares mais confiáveis da Terra para ver as luzes do norte, graças a um microclima único conhecido como o buraco azul de Abisko. Essa promessa foi cumprida quando os jantadores no restaurante do hotel ouviram murmúrios animados sobre a aurora. Correndo para fora com roupas de jantar, o viajante testemunhou um brilho verde antes de vestir equipamentos para clima frio e juntar-se a outros em terreno mais alto observando o céu dançante. A experiência incluiu ver estrelas cadentes da chuva de meteoros das Gêmeidas, adicionando ao espetáculo da noite.
O dia seguinte apresentou um café da manhã tranquilo de arenque em conserva e pão de centeio, seguido por uma caminhada ao longo da margem do Lago Torneträsk. Caminhando através de bétulas prateadas nuas carregadas de neve, o grupo alcançou uma cachoeira congelada para um piquenique. Olhando para trás no caminho, o viajante notou que o brilho rosa e laranja do céu permanecia inalterado desde horas antes, tornando impossível distinguir entre manhã e tarde. O sol permaneceu abaixo do horizonte, lançando uma luz colorida persistente que fez com que os conceitos de amanhecer, meio-dia e noite se dissolvessem.
Planos posteriores para pegar um teleférico até a Estação do Céu de Abisko foram cancelados devido a ventos fortes, levando o grupo a um afloramento alternativo acima do Lago Torneträsk para outra visualização da aurora. A noite terminou com sopa de rena servida em um edifício com formato de uma tradicional lávvu Sámi, onde um guia compartilhou mitos locais sobre as luzes serem ancestrais dançando ou um espírito de raposa correndo pelo céu. O guia também recomendou aplicativos de previsão como Aurora Buddy e My Aurora para rastrear o fenômeno.
A viagem acabou mudando a perspectiva do viajante, passando da preocupação de que a escuridão diminuiria as férias para a realização de que ela removeu os limites rígidos das agendas diárias. Com a distinção entre noite e dia dissolvida, a experiência pareceu surpreendentemente libertadora, oferecendo mais tempo do que o esperado em um lugar onde a sensação de tempo se abre.
Fontes: The Guardian Travel.